Obsolência programada humana

Tela de celular com indicador de bateria baixa

Um dia desses meu celular começou a apresentar sinais de quase morte. Leves travadinhas, lentidão etc. Pensei: “Comprei esse celular nem tem muito tempo, deve ter cerca de 1 ano só”. Bom, pra quem desde 2011 está no terceiro smartphone, ficando cerca de 3 anos com um Galaxy S2 e mais 3 anos com um Moto X 2013, esse Moto G4 Plus começou a apresentar sinais de desgaste muito rápido.

Lembrei então que já haviam lançado o 5ª linha do Moto G e me veio à cabeça uma expressão que sempre ouvia: Obsolência Programada que de modo simples e direto quer dizer que o fabricante condiciona um equipamento que poderia ter uma durabilidade maior a perder rendimento em determinado momento.

De modo bem extremo é como se ontem o aparelho estivesse tudo ok e ao virar a meia noite, começasse a apresentar problemas, dos mais simples que seja. Eu nem acreditava muito nisso, pelo fato de ter ficado 3 anos em média com os aparelhos anteriores.

Eu também não acreditava muito que nós, pessoas humanas, pudéssemos perder rendimento de uma hora pra outra, do mesmo modo dos eletrônicos.

Não acreditava nisso até esses dias – bom, vou falar de mim agora, então, na primeira pessoa – até perceber que estava com alguns sintomas parecidos com os aparelhos próximos do descarte.

Pensando bem, talvez nem tenha sido algo que aconteceu de uma hora pra outra, mas ando com tanta coisa na cabeça que acredito ter percebido apenas quando a coisa estourou.

Agora, analisando algumas poucas coisas que lembro (esse é um sinal já) os sintomas iniciais eram esquecimentos de algumas coisas antigas. Até aí tudo bem, pois quem não esquece de coisas que aconteceram sei lá, na quinta série?

Aí as coisas começaram a ficar mais recentes. Não lembrava do que aconteceu na semana anterior, alguns dias atrás, até chegar ao cúmulo de acordar, ir pro banho e durante o banho pensar: “Hey, eu sei que ontem eu tomei banho antes de deitar mas… não sei se isso realmente aconteceu, não lembro a hora, o que fiz antes ou depois”.

O caso chegou num ponto que eu esquecia o que tinha acontecido alguns minutos atrás, quando o ápice do esquecimento foi eu começar a falar uma coisa e no meio, do nada, eu nem fazer ideia do que eu tava falando mais.

Dores de cabeça vieram (ou já estavam aí e eu nem havia percebido) e a parte mais próxima de um eletrônico no fim da vida útil foi um dia que do nada, eu apaguei no meio de um jogo. Sim, eu estava jogando, coisa muito séria, onde já se viu perder a atenção durante um jogo? Apaguei, desliguei em frente ao computador e quando acordei, fui deitar na cama.

Um App daqueles que monitoram o sono uma vez me disse que eu dormia cerca de 2 a 3 minutos após acioná-lo. Claro, estava no fim das minhas energias.

O doutor das neuras, o neurologista me mandou dormir mais. Achei estranho quando ele disse que 4 ou 5 horas de sono por noite era pouco. Eu já havia dormido 2 horas por noite várias vezes enquanto trabalhava num hospital, 4 horas é o dobro disso, absurdo doutor!

Enfim, o início do tratamento vai ser dormir mais, fazer menos coisas ao mesmo tempo e vamos ver o que vem após os exames.

Estou escrevendo isso por motivos de: “Vai que eu esqueço” desses estágios, assim como esqueci esse post aqui, semi redigido por mais de 1 mês.

Imagem do post: portalgda via Visual Hunt / CC BY-NC-SA