Ninguém respeita as regras!

Sempre quando penso em escrever algo aqui, fico pensando: “Pra quem estou escrevendo?” e também  “E eu me importo com isso?”. A primeira resposta eu ainda não tenho, mas a segunda eu já cravei: “Não me importo!”.

Pois bem, depois de muito tempo pensando e pensando sobre registrar isso, lá vai: Ninguém respeita caralho nenhum de regra nesse mundo!

Um tempo atrás, entrei em um grupo de desenvolvimento web focado em front-end, na parte visual do site, digamos assim. Bem, focado não era a palavra mais acertada para o grupo. Qualquer um podia entrar lá e do mesmo modo qualquer um podia publicar algo. Obviamente, postavam qualquer coisa, mesmo que não houvesse relação alguma com o assunto que em tese, era pra ser tratado ali.

Eu, que sempre gostei de coisas organizadas (não to falando das minhas meias) via aquilo e morria aos poucos por dentro. Poderia sair do grupo? Poderia! Mas eu queria ficar ali. Foi então que entrei em contato com o dono do grupo, comentei sobre o ocorrido e no fim das contas eu fiquei com o grupo.

Comecei a organizar o grupo e dando o seguinte foco:

É um grupo brasileiro para desenvolvimento web.

Com base nisso, algumas atitudes, talvez um tanto ditadoras foram tomadas, mas era pro bem do grupo: A língua do grupo é o Português, se você escreve bem ou não, nem importa muito. Grande parte das postagens eram em inglês, árabe e umas outras línguas que eu não faço ideia de onde eram, então, num grupo brasileiro, vamos falar o português e fim!

Algumas outras medidas foram tomadas, como organizar os posts mais repetidos em um lugar só. Todo dia alguém aparecia e perguntava: “Alguém me dá dica de um curso de graça?”.

Bem, se todo dia isso acontecia, o melhor seria ter um único lugar, onde as pessoas indicariam os que conhecem, haveria troca de ideias, discussões, alguém falando “Esse não presta!” “Esse presta!”, porém, tudo num lugar só. Facilitaria pra quem quisesse tirar essa dúvida e as vezes, a pessoa tem até vergonha de perguntar isso, então, se já tiver um lugar criado onde as pessoas possam por suas opiniões, era a melhor solução.

Spam obviamente seria tratado com um olhar diferente, pois muitas pessoas acabam de criar um conteúdo e saem por aí, entrando em seus 489 grupos colando um texto pronto ou as vezes compartilhando o post sem falar nada.

DEIXEI MEU LINK E SAÍ CORRENDO…

A última ação feita foi bloquear o acesso ao grupo, fazendo com que somente entrasse quem fosse aprovado pela moderação.

Nossa, que ditador, só entra no grupo dele quem ele quer!

Sim, e isso é para o bem do grupo. Todo dia tem alguém querendo fazer spam, propaganda, corrente, pirâmide… tem Evangelizador Bitcoin querendo entrar no grupo! hahahahaha – Eu já to julgando mas sei que vai fazer tudo errado, quem é evangelizador bitcoin (ainda rindo disso) e cria uma conta no Facebook HOJE?! Chegou na internet hoje ou já foi bloqueado na outra conta?

Por um bom tempo o grupo mal sequer conseguiu chegar aos 8 mil membros e ainda está nessa faixa, pois não tenho interesse na quantidade de pessoas no grupo e sim a qualidade do que tem lá.

Mas como seria muita autoridade simplesmente escolher pela cara quem entraria no grupo ou não, fazendo um pré-julgamento, eu acabava deixando passar um ou outro malandrão, até que um certo dia o Facebook presenteou os donos dos grupos com a possibilidade de fazer até 3 perguntas para quem quisesse participar do grupo.

Agora tudo ficaria mais justo, pra entrar numa faculdade você precisa responder algumas perguntas, pra entrar no meu grupo também.

As perguntas nunca foram algo onde limitaria a entrada de quem não tem conhecimento, na verdade a ideia do grupo é ter a maior quantidade de gente que tem dúvidas, de gente que não tem conhecimento, para que elas possam aprender com os demais membros que podem ajudar.

Então defini que as 3 perguntas seriam distribuídas na seguinte maneira: 2 delas não importariam muito, mas seria interessante que a pessoa respondesse: Como encontrou o grupo e qual o seu grau de conhecimento e uma última pergunta que daria o passe de entrada ou não: “Você vai ler as regras?”.

Todo lugar tem regras, essa é a base da organização do mundo para que esse caos não se torne mais caos ainda.

O infeliz do ser humano consegue responder as 2 perguntas que não importam e deixa de lado a mais importante, ninguém liga pras regras!

Por diversas vezes a pessoa acabou de responder que irá ler as regras, nem deu tempo de fazer e já ta lá, quebrando as regras, postando coisa que não pode, fazendo merda e esfregando na parede.

Já me estressei mais com essas bobagens, hoje eu simplesmente ignoro a entrada dessas pessoas ou as bloqueio, pois são as ferramentas que a plataforma disponibiliza e eu faço seu uso, mas vejo que isso não é exclusividade de grupo de Facebook.

Uma rede social é só uma extensão na internet do que as pessoas são na vida real e na vida real ninguém liga pra nada!

Foto: Bruno Martins em unsplash.com

Obsolência programada humana

Tela de celular com indicador de bateria baixa

Um dia desses meu celular começou a apresentar sinais de quase morte. Leves travadinhas, lentidão etc. Pensei: “Comprei esse celular nem tem muito tempo, deve ter cerca de 1 ano só”. Bom, pra quem desde 2011 está no terceiro smartphone, ficando cerca de 3 anos com um Galaxy S2 e mais 3 anos com um Moto X 2013, esse Moto G4 Plus começou a apresentar sinais de desgaste muito rápido.

Lembrei então que já haviam lançado o 5ª linha do Moto G e me veio à cabeça uma expressão que sempre ouvia: Obsolência Programada que de modo simples e direto quer dizer que o fabricante condiciona um equipamento que poderia ter uma durabilidade maior a perder rendimento em determinado momento.

De modo bem extremo é como se ontem o aparelho estivesse tudo ok e ao virar a meia noite, começasse a apresentar problemas, dos mais simples que seja. Eu nem acreditava muito nisso, pelo fato de ter ficado 3 anos em média com os aparelhos anteriores.

Eu também não acreditava muito que nós, pessoas humanas, pudéssemos perder rendimento de uma hora pra outra, do mesmo modo dos eletrônicos.

Não acreditava nisso até esses dias – bom, vou falar de mim agora, então, na primeira pessoa – até perceber que estava com alguns sintomas parecidos com os aparelhos próximos do descarte.

Pensando bem, talvez nem tenha sido algo que aconteceu de uma hora pra outra, mas ando com tanta coisa na cabeça que acredito ter percebido apenas quando a coisa estourou.

Agora, analisando algumas poucas coisas que lembro (esse é um sinal já) os sintomas iniciais eram esquecimentos de algumas coisas antigas. Até aí tudo bem, pois quem não esquece de coisas que aconteceram sei lá, na quinta série?

Aí as coisas começaram a ficar mais recentes. Não lembrava do que aconteceu na semana anterior, alguns dias atrás, até chegar ao cúmulo de acordar, ir pro banho e durante o banho pensar: “Hey, eu sei que ontem eu tomei banho antes de deitar mas… não sei se isso realmente aconteceu, não lembro a hora, o que fiz antes ou depois”.

O caso chegou num ponto que eu esquecia o que tinha acontecido alguns minutos atrás, quando o ápice do esquecimento foi eu começar a falar uma coisa e no meio, do nada, eu nem fazer ideia do que eu tava falando mais.

Dores de cabeça vieram (ou já estavam aí e eu nem havia percebido) e a parte mais próxima de um eletrônico no fim da vida útil foi um dia que do nada, eu apaguei no meio de um jogo. Sim, eu estava jogando, coisa muito séria, onde já se viu perder a atenção durante um jogo? Apaguei, desliguei em frente ao computador e quando acordei, fui deitar na cama.

Um App daqueles que monitoram o sono uma vez me disse que eu dormia cerca de 2 a 3 minutos após acioná-lo. Claro, estava no fim das minhas energias.

O doutor das neuras, o neurologista me mandou dormir mais. Achei estranho quando ele disse que 4 ou 5 horas de sono por noite era pouco. Eu já havia dormido 2 horas por noite várias vezes enquanto trabalhava num hospital, 4 horas é o dobro disso, absurdo doutor!

Enfim, o início do tratamento vai ser dormir mais, fazer menos coisas ao mesmo tempo e vamos ver o que vem após os exames.

Estou escrevendo isso por motivos de: “Vai que eu esqueço” desses estágios, assim como esqueci esse post aqui, semi redigido por mais de 1 mês.

Imagem do post: portalgda via Visual Hunt / CC BY-NC-SA